Capítulo 49

 

Eu arrumei minhas coisas em silêncio.

Não foi um gesto impulsivo. Não foi raiva. Não foi drama. Foi cansaço. Aquele cansaço que não explode, apenas pesa. Que não grita, mas insiste. Eu dobrava as roupas com cuidado excessivo, como se o ato de organizar pudesse me convencer de que tudo aquilo tinha sido apenas mais um trabalho que chegara ao fim.

A mala aberta sobre a cama parecia maior do que realmente era.

Talvez porque dentro dela eu estivesse colocando mais do que roupas. Estava colocando medo, confusão, apego e uma parte de mim que eu ainda não sabia nomear.

Eu não tinha contado a ninguém.

Nem a Henri

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