Capítulo 37

O desenho não saía da minha cabeça.

Não era apenas um papel com traços infantis. Nunca foi. Desde o instante em que Aurora o colocou nas minhas mãos, eu soube que havia algo ali que ultrapassava a linguagem simples de uma criança. O problema era que eu ainda não entendia como ler aquilo.

Espalhei os desenhos sobre a cama naquela noite, depois que Aurora finalmente adormeceu. Fechei a porta do quarto com cuidado e sentei no chão, encostada na lateral da cama, como se estivesse prestes a montar um quebra-cabeça que ninguém queria que fosse resolvido.

Havia vários desenhos parecidos.

Casas pequenas, sempre afastadas da mansão. Janelas grandes. Portas fechadas. Uma figura feminina desenhada de costas, quase sempre sem rosto. Em alguns, uma criança menor segurava a mão dessa mulher. Em outros, a criança estava sozinha, observando à distância.

E sempre o mesmo detalhe.

Um espaço vazio entre as figuras.

Distância.

Não era abandono puro. Era separação forçada. Algo interrompido. Algo que não
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