POV Yara
Eu acordei com o coração disparado.
Por um segundo, não soube onde estava. O teto branco, alto demais. O silêncio estranho, quebrado apenas por sons distantes da rua. Levei alguns segundos para reconhecer o quarto do hotel, as cortinas claras, a luz da manhã filtrando-se por elas.
Roma.
Passei a mão pelo peito, sentindo o coração ainda acelerado demais. O lençol estava levemente úmido sob minhas costas, como se eu tivesse atravessado uma corrida longa enquanto dormia.
O sonho.
Não — não tinha sido apenas um sonho.
Sentei-me devagar na cama, puxando o lençol até a cintura, tentando organizar pensamentos que se atropelavam. Minha cabeça doía de leve, uma pressão estranha atrás dos olhos.
Fechei-os por um instante… e a imagem voltou.
O campo aberto. O vento cortante. O cheiro de ferro no ar. Não havia nebulosidade desta vez, nenhuma borda borrada. Tudo estava absurdamente nítido.
Eu estava vestida com roupas que nunca usei, mas que reconheci como minhas. Couro escuro