POV: Yara
Depois do banho, meu corpo finalmente pareceu me obedecer.
A água quente ajudou a dissipar o peso do sonho, ainda que não tenha apagado suas imagens. Elas permaneciam ali, escondidas sob a pele, prontas para emergir ao menor descuido. Enrolei a toalha nos cabelos e fiquei alguns segundos parada diante do espelho, observando meu reflexo com mais atenção do que o habitual.
Eu parecia a mesma. Mas não me sentia.
Escolhi roupas leves, adequadas ao clima italiano: uma calça de linho bege, cintura alta, camisa branca de tecido fluido e mangas dobradas até o cotovelo. Calcei sandálias confortáveis e prendi o cabelo ainda úmido em um coque frouxo. O sobretudo branco ficou dobrado sobre a poltrona — desnecessário naquela manhã clara.
Desci para o café quase em silêncio. O salão estava preenchido por murmúrios suaves, o tilintar de xícaras, cheiro de café forte e pão fresco. Sentei perto da janela, pedindo algo simples. Enquanto comia, observei a rua acordando: moradores caminha