Mundo ficciónIniciar sesiónNo escritório da Matilha Bloodmoon, Cedric estava ali com um dos seus aliados mais antigos, o Alfa Cien, líder da matilha Heartbreaker, e um amigo de longa data de seu pai, o atual Rei Alfa.
Cedric estava irritado.
O fato de Skyla, ser a filha do Beta da Bluemoon, era uma distração constante em sua mente.
Mas seu laço de companheiros teimava em gritar para ele assumir ela, e isso era um tormento.
— Agradeço a visita, Alfa Cien.
Cedric começou, formalmente, com os olhos fixos nos papéis sobre a mesa.
— Sua visão sobre os movimentos do Alfa Viper tem sido inestimável.
Alfa Cien bebericou de seu copo, com seus olhos sérios.
— Não há o que agradecer, Alfa Cedric. O homem tem tentado destruído Matilhas por anos. Mas, vim por outro motivo. Um... assunto pessoal que não tenho conseguido resolver sozinho.
Cedric levantou uma sobrancelha.
— Pessoal?
Cien colocou o copo na mesa.
— Há cerca de vinte anos, minha Luna, Lunara, e eu tivemos nossa filha roubada durante um dos ataques. Usamos todas as Matilhas aliadas para procurar por ela, mas nunca a encontramos.
Cedric sentiu um calafrio estranho, a história de Cien parecia se conectar com sua missão atual.
— Eu sinto muito.
Cedric disse, sincero.
— Sentir muito não a traz de volta. Mas não perdemos a esperança. Meu palpite, Alfa Belmont, é que isso tudo tem dedo do Alfa Viper. E eu sei, é só uma teoria.
— O que o leva a crer que seu caso está ligado a Bluemoon?
Cien suspirou, com a dor visível em seus olhos.
— Nada concreto. Apenas a persistência de Lunara. Ela diz que sente que nossa filha está viva. Além disso, temos uma testemunha que falou que viu o Beta dos Bluemoon por perto, naquela época.
Houve um longo silêncio.
Até que Cien se inclinou, com a voz baixa, quase suplicante, enquanto engolia seu orgulho.
— Se, por acaso, em suas buscas, você encontrar alguma jovem que tenha uma marca de nascença no pulso, me informe. Minha filhote, tem uma marca de nascença única, que herdou da minha Luna, e que passou para nossa filha.
Cedric apertou os punhos sob a mesa.
— E qual seria a marca?
Alfa Cien olhou fixamente para Cedric, com seu olhar azul céu.
— Ela tem, no pulso esquerdo, uma pequena, mas perfeitamente formada, marca de nascença em forma de coração.
A memória da foto de Skyla, que ele tinha mandado fazer, não mostrava o braço de Skyla, mas ele se lembra vagamente de que havia notado algo, uma pequena mancha escura no pulso dela, mas ele havia descartado por achar a informação insignificante.
Mas, agora...
A mente de Cedric girou.
A atração que sentia por aquela fêmea, era insana.
Ele se lembra em como ela tinha a pele marcada e parecia humilde demais para a filha de um beta.
Ele tinha que ter certeza de quem era Skyla e o que ela realmente queria dele, antes de investigar se ela tinha ou não uma marca de nascença no braço.
“- Será que ela é a tal filha do Alfa Ciel? Droga. Essa fêmea está me deixando louco.”
— Se eu encontrar alguém com essa marca, entrarei em contato imediatamente, Cien.
Cedric respondeu e Cien se levantou, aliviado por ter compartilhado seu segredo.
— Agradeço sua discrição, Alfa Belmont, e a sua amizade.
Cedric acenou, apertando a mão do Alfa Cien.
Assim que a porta se fechou, Blaine fez uma reverência, e ele ordenou.
—Quero que procure fêmeas na casa dos 25 anos, que possuem uma marca de nascença em forma de coração no pulso esquerdo.
---
Skyla acordou horas depois no consultório da médica da alcateia.
Sua cabeça latejava, juntamente com a dor em suas costelas e pescoço era numa lembrança da fúria de seu pai.
Ao lado dela, Leona segurava sua mão, e seus olhos gentis estavam cheios de lágrimas não derramadas.
A Drika, por sua vez, estava em pé perto da porta, o rosto contraído de raiva e preocupação.
— O que houve dessa vez, senhorita Skyla?
Perguntou a Doutora Alara, com a voz cansada, mas firme.
Seu coração acelerou, mas a mentira era sua única proteção, para aquela situação de merda.
— Eu caí da escada.
- É? Essa escada te deixou com três colunas quebradas e marcas no pescoço.
A doutora Alara, uma loba idosa com anos de experiência em lidar com os "acidentes" da família Beta, ironizou com um olhar de profundo pesar.
— E essa escada também te deixou com hematomas que mal consigo curar e marcas profundas por todo o corpo.
A Doutora inspecionou o pescoço de Skyla, justamente onde a marca pulsava sob a bandagem antes de suspirar, desviando o olhar.
— Querida, precisei te dar uma porção fortíssima dessa vez. Você dormiu um dia e meio para se recuperar. Você vai me contar a verdade?
Skyla desviava o olhar, insistindo na mentira.
Afinal, quem acreditaria que seu pai, o Beta da Matilha Azul, a espancava daquela forma, com a conivência de sua mãe, e de sua irmã?
Skyla se sentia num conto de fadas, estilo cinderela, de tão complicado que sua vida era.
— Eu escorreguei e caí da escada, é sério.
Alara suspirou novamente, mais frustrada do que surpresa, e olhou para Drika, que assentiu com a cabeça, indicando que a médica deveria prosseguir.
— De acordo com suas amigas, seus pais bateram em você. É verdade?
Skyla negou novamente.
Não queria causar mais problemas para as amigas.
Além disso, ela tinha certeza de que o Alfa já sabia da crueldade que passava, já que seu pai era o Beta.
— Que seja. Mas você deveria contar ao Alfa, antes que você chegue aqui morta. Não é a primeira vez que você está à beira disso, Skyla.
Skyla concordou e saiu do consultório, já bem melhor.
Era fácil adivinhar que suas amigas a limparam e a vestiram no caminho para a clínica, como de costume.
Ao sair com suas amigas, Leona a abraçou primeiro.
— Graças à Deusa que você está bem.
Drika, interveem, segurando Skyla pelos ombros, olhando-a nos olhos para impor a realidade.
— Vem, vamos falar com o Alfa sobre o seu pai. Temos que usar as marcas como prova de que você está em perigo.
Skyla suspirou, cansada de lutar contra a parede de poder em que vivia.
— Ele é o Beta dele, ele sabe. Ninguém vai contradizer o cruel e frio Beta da Matilha.
Angustiadas, as amigas a levaram para a casa de Leona.
Como de costume, elas foram para a cozinha, e Leona, com o carinho que só ela tinha, serviu um belo e delicioso bolinho de banana, o favorito de Skyla.
Skyla mordeu o bolinho com um gemido de satisfação.
— Agora eu vi vantagem.
As amigas a observavam e Drika foi direta.
— Já percebeu que o Cillion não é o seu companheiro, né?
Leona, aliviada, completou com doçura.
— É, você tá vivinha da Silva.
Skyla suspirou, o alívio misturado à confusão e à angústia.
— Eu não entendo... Cillion me falou que era o meu companheiro, mas como eu não tenho lobo, eu não sinto o laço.
Suas amigas se entreolharam antes de segurar sua mão e Drika suavizou a voz de forma mais carinhosa, porém firme.
— O importante é que você percebeu.
Leona, apoiando-se na bancada, ficou curiosa.
— Nos conte sobre ele?
Skyla se estremeceu só de lembrar do seu companheiro desconhecido e lembrou-se dos intensos olhos ambares, e de como se sentia ao toque dele.
Suas amigas a observavam, conscientes do coração acelerado de Skyla.
— Olhos dourados.
As duas a encararam estupefatas e Leona comentou sem jeito.
— Alguns raros lobos têm olhos dourados, assim como os seus olhos azuis, Sky. Precisamos de mais informações.
Skyla se lembrava da pressão que sentiu na presença dele.
— A... A presença dele me lembra a de um Alfa.
As duas pensaram por um momento, se encarando confusas.
Leona reuniu as informações.
— Um Alfa de olhos dourados? Vamos descobrir tudo o que pudermos para você.
No entanto, o brilho de Drika se apagou, e seu sorriso se tornou preocupação.
— Mas... tem um Alfa que não é muito sociável e que, bem... Tem olhos dourados, como sua descrição.
Skyla as encarou e Drika revelou, angustiada.
— Alfa Cedric Belmont.







