Ricardo dormia profundamente, de costas, o braço pesado pousado sobre a cintura de uma mulher muito mais jovem do que ele. Astrid mantinha-se acordada, imóvel, os olhos verdes fixos no tecto alto do quarto, decorado com um luxo discreto, quase frio. Não era o tipo de ambiente que convidava ao romance, mas sim à posse. E isso bastava-lhe.
O quarto estava envolto num silêncio confortável, interrompido apenas pela respiração lenta de Ricardo. Astrid inspirou devagar, sentindo o peso daquele homem ao seu lado, não como um amante, mas como um investimento. Nada ali era espontâneo. Nunca fora.
O telemóvel pousado na mesa-de-cabeceira começou a vibrar, insistente, quebrando a quietude da madrugada. O som repetiu-se, irritante, quase agressivo. Ricardo mexeu-se ligeiramente, resmungou algo inaudível e virou-se, enterrando o rosto na almofada, completamente alheio ao mundo.
Astrid cerrou os lábios por um segundo. Detestava ser acordada. Detestava ainda mais que o passado insistisse em inf