Marcelo parou de dormir.
No início, ele tentou tratar aquilo como tratava qualquer falha humana: com desprezo. Insônia era coisa de gente fraca, dizia a si mesmo. Bastava ignorar, impor disciplina, continuar funcionando. Marcelo sempre funcionara. Funcionava mesmo quando estava exausto, mesmo quando estava irritado, mesmo quando o mundo inteiro parecia exigir mais do que era razoável oferecer.
Mas o corpo começou a cobrar.
As noites tornaram-se intermináveis. Ele deitava na cama ampla do ap