Ponto de Vista: Maya
O barulho das britadeiras e o vaivém dos caminhões de material de construção na casa de pedra começaram a soar como uma estática incessante em meus ouvidos. Porto do Silêncio, que sempre fora meu refúgio, estava tomado por uma agitação estranha. Entre o som da betoneira e as perguntas incessantes dos hóspedes da pousada sobre o "casamento do século", eu sentia que o ar estava ficando escasso. A Aline era uma joia na recepção, mas o peso de ser a guardiã da privacidade do Leo contra os drones e os curiosos que rondavam a vila estava me exaurindo.
O Leo percebeu. Ele sempre percebia quando o meu silêncio mudava de tom. Ele não disse nada quando me viu encarando o mar com os ombros tensos naquela manhã, apenas pegou o celular e fez uma ligação curta para o Seu Dito, um dos pescadores mais discretos e antigos da região. Meia hora depois, ele apareceu na cozinha, com uma mochila nas costas e aquele sorriso de lado que prometia o mundo.
— A gente vai fugir, noiva. Agora