Ponto de Vista: Leonardo
O retorno da Ilha da Sentinela foi como flutuar em águas calmas após uma tempestade. O sal ainda ardia levemente na minha pele, um lembrete físico da tarde surreal que tive com a Maya, mas o meu foco já estava voltando para o que eu estava construindo em Porto do Silêncio. Quando o barco encostou no deck da vila, o som das marteladas finais na nossa academia soou como música. O caminho de pedra sabão que eu e o Tião tínhamos suado para assentar estava pronto, serpenteando da varanda da casa de pedra até o início da areia, parecendo que sempre pertenceu àquele lugar.
A obra estava no fim, e a estrutura da mini academia, com as vigas de madeira tratada e o teto alto para ventilação, já se impunha entre a mata e o mar. Mas a minha mente já estava em um projeto muito maior e mais silencioso.
Aproveitei um momento em que a Maya subiu para a pousada para falar com a Fátima e liguei para o Marcos. Eu precisava de números, de clareza e, acima de tudo, de discrição.
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