Ponto de Vista: Leonardo
O paraíso não terminou com um estrondo; ele terminou com o som seco e rítmico de notificações de celular.
Eu estava parado no centro da recepção, sentindo o chão fugir sob meus pés. A Maya não estava apenas brava; ela estava em choque. Seus olhos, que horas atrás brilhavam de desejo, agora estavam dilatados, vazios de qualquer brilho. O pânico dela era palpável, uma névoa fria que preenchia o espaço entre nós.
— Maya, por favor, me ouve... — Minha voz saiu trêmula, pequena diante do desastre.
— Não encosta em mim! — Ela gritou, recuando como se o meu toque fosse veneno. — Quem é você? Leonardo? O "fenômeno"? O "astro"? Você mentiu cada segundo que passou aqui!
— Eu não menti sobre o que eu sinto! Eu só queria ser o Leo por um tempo! — eu tentei desesperadamente, mas as palavras soavam vazias até para mim.
Dona Fátima entrou na sala. O rosto dela, sempre tão acolhedor, estava pálido. Ela segurava o celular como se segurasse uma granada.
— Menina... olha isso. A