Ponto de Vista: Maya
O som da porta do SUV fechando foi o início do fim. Foi um estalo seco, metálico e definitivo, como o gatilho de uma arma que acaba de disparar. Aquele vidro fumê e blindado não servia apenas para proteger o "astro" Leonardo; ele servia para me dizer, da forma mais cruel possível, que o homem que dormiu nos meus braços nunca existiu de verdade. O "Leo" era um fantasma, uma miragem que evaporou assim que o mundo real decidiu bater à minha porta.
Mas o fantasma deixou um rastro de destruição.
Assim que os carros pretos arrancaram, o portão da pousada pareceu uma represa que se rompeu. Dezenas de pessoas — gente com olhares famintos, câmeras que pareciam armas de cano longo, celulares esticados como se quisessem tocar a minha pele — invadiram o meu jardim. Elas pisaram nas minhas flores, chutaram os vasos que o Tião cuidava com tanto carinho e transformaram o meu santuário em um campo de guerra.
— Maya! Olhe para cá!
— Há quanto tempo você está escondendo o Leonardo?