Ponto de Vista: Maya
Eu acordei sentindo que, finalmente, a vida tinha parado de lutar contra mim. O quarto do Leo ainda estava na penumbra, mas o calor do corpo dele ao meu lado era o sol que eu precisava. Olhei para ele dormindo e senti uma paz tão profunda que cheguei a ter medo. Eu estava apaixonada. Pela primeira vez desde que fugi da minha cidade, eu não me sentia apenas uma sobrevivente. Eu me sentia viva.
Fui para o banho cantarolando, deixando a água morna lavar o resto do cansaço do dia anterior. Quando saí, vi o Leo sentado na beira da cama. Ele parecia distraído, segurando o celular que eu mal o via usar. Por um segundo, a tensão nos ombros dele me lembrou o homem que chegou aqui há semanas, mas ele logo guardou o aparelho e me deu aquele sorriso que desarmava todas as minhas defesas.
— Tudo bem? — perguntei, secando o cabelo.
— Tudo ótimo — ele respondeu. Mas o olhar dele não estava "ótimo". Estava em outro lugar.
Descemos para o café e o dia seguiu um ritmo que eu amava.