Ponto de Vista: Leonardo
Sexta-feira. O sol de Porto do Silêncio pareceu esperar por nós. No momento em que Maya pisou na areia, o horizonte se incendiou em tons de coral e cobre, criando uma moldura que nenhum cenógrafo de turnê conseguiria simular. Eu estava ali, descalço, sentindo a textura dos grãos de areia entre os dedos, ouvindo o pulsar do mar que, naquele dia, batia na orla com uma suavidade reverente.
Lá fora, o plano de Marcos funcionava como um relógio suíço. Mas aqui, o único som era o das ondas e o choro contido da Fátima, que terminava de arrumar o pequeno altar improvisado na areia, bem ao pé da nossa nova escada de pedra.
— Tá na hora, garoto — o Tião disse, surgindo na porta com seu melhor terno antigo, cheirando a naftalina e orgulho. — Ela tá vindo.
Caminhei até a areia. O altar era simples: dois troncos de madeira de deriva que o mar trouxe, adornados com flores brancas nativas. Então, ela apareceu no topo da escada. Meu coração errou a batida. Maya estava deslumb