Ponto de Vista: Maya
O asfalto da Rio-Santos parecia cantar sob os pneus do meu jipe. Enquanto os prédios altos do Rio de Janeiro ficavam para trás, sendo devorados pelo retrovisor e substituídos pelo verde profundo da Serra do Mar, eu sentia um peso físico saindo dos meus ombros. Eu não estava fugindo; estava voltando para o meu eixo. Ver o Leonardo naquele palco, retomando as rédeas da própria vida e usando a música para proteger a minha identidade, tinha sido o encerramento de um ciclo necessário. Eu estava feliz por ele, verdadeiramente orgulhosa do artista que ele provou ser diante dos microfones, mas a minha vida não era feita de flashes, nem de seguranças, nem de agendas milimetricamente calculadas.
Eu amava o meu silêncio. Amava o cheiro de maresia impregnado nos lençóis da pousada. Amava a liberdade de ser apenas a Maya, e não "a musa" de um mistério nacional.
A semana em Porto do Silêncio passou em um ritmo vigoroso e curativo. Eu não me permiti o luxo da melancolia. Não fiq