NOAH
O endereço piscava na tela do celular como se tivesse vida própria. Cada quilômetro percorrido parecia um ano inteiro arrancado do meu peito. Eu estava no banco de trás da viatura, Olívia ao meu lado, o joelho dela tremendo num ritmo tão descompassado quanto o meu coração.
— Vai dar certo — ela disse, mais para si mesma do que para mim.
Eu assenti, mas não respondi. Tinha medo de abrir a boca e deixar escapar tudo o que eu estava segurando desde o dia em que Ella desapareceu.
O rádio da polícia chiava com códigos e instruções. Sirenes desligadas. Aproximação silenciosa. Tudo era técnico demais para algo que, para mim, era visceral.
Peguei o celular outra vez e escrevi para o detetive, os dedos escorregando na tela.
Ele ainda está aí?
A resposta veio rápida demais, como se ele estivesse esperando.
Sim. O carro dele continua estacionado. Não saiu.
Fechei os olhos por um segundo. Meu pai ainda estava lá.
Isso significava duas coisas: Ella ainda estava viva…
e o perigo era maior do q