NOAH
A ideia me atingiu como um estalo no meio do caos.
Eu estava sentado no banco do carro, parado em frente à empresa, com o celular ainda quente na mão depois de mais uma ligação vazia, mais uma promessa adiada, mais uma exigência absurda do meu pai. Fingir. Aceitar. Sorrir ao lado de Helena. Manter a farsa viva enquanto Ella continuava presa em algum lugar que eu ainda não conhecia.
Mas meu pai cometia sempre o mesmo erro.
Ele acreditava que controlava tudo.
Respirei fundo e disquei um número que eu guardava há anos, desde a época da faculdade, quando precisei investigar um caso interno da empresa sem envolver meu sobrenome.
— Preciso de você — eu disse assim que a ligação foi atendida. — Discrição absoluta. É sobre seguir uma pessoa muito poderosa.
Silêncio do outro lado. Depois, a resposta firme:
— Manda os dados.
Desliguei com o coração acelerado. Pela primeira vez desde o sequestro de Ella, eu sentia que não estava apenas reagindo. Eu estava jogando.
No dia seguinte, fiz exata