A manhã parecia comum, mas eu acordei com aquela sensação estranha no peito — o tipo de pressentimento que passa rápido, mas deixa um rastro queimando. Por alguns minutos fiquei deitada, encarando o teto, esperando que aquela agonia sem nome dissesse algo mais, mas não veio nada. Apenas o silêncio abafado do quarto e o coração batendo rápido demais.
Sacudi a cabeça. Não era hora para paranoias. Eu tinha uma entrevista importante, talvez a mais importante desde que larguei o estágio e decidi que precisava respirar fora da órbita sufocante da família Alvarenga. Depois de tudo que aconteceu no hospital, Olivia foi um anjo — reorganizou minha entrevista antes mesmo de eu pedir, enviou mensagem confirmando e ainda deixou um áudio desejando boa sorte.
Aquilo me deu mais calma. Ou pelo menos… menos ansiedade.
Tomei banho devagar, escolhi a roupa com cuidado e passei um perfume leve, quase imperceptível, como se não quisesse chamar atenção nenhuma do universo naquele dia. Antes de sair, olhei