Capítulo 6

Cíntia se sentia em um conto de fadas. Seu quarto estava além do que podia imaginar. Nem em um milhão de anos se imaginou num quarto assim. Quando seu pai a levou pela mansão que era magnífica e entrou no seu quarto. Não soube o que dizer pois estava muito impactada com tudo aquilo.

- É enorme! - disse alisando a roupa de cama branca com detalhes dourados. Parecia um quarto de princesa.

- Gostou?

- Amei.

- Mandei preparar algumas roupas para vocês, se não couberem podemos comprar outras. - disse seu pai abrindo o closet.

Ela entrou no closet. Lá havia mais roupas do que ela poderia vestir em uma vida. Sapatos, jóias, bolsas. Tudo de marca, do bom e do melhor. Com isso tudo quem precisaria das coisas velhas que tinha? Mas mesmo assim ela precisava ir no apartamento se despedir das meninas e pegar os materiais da faculdade. Ninguém iria acreditar nela. Tudo ainda parecia um sonho.

- Pai. - falou testando essa palavra em sua voz. Nunca pode dizê-la pois antes não tinha um pai, agora ela tinha.

- Sim querida.

- Eu preciso ir em casa. - era estranho chamar o apartamento de casa, pois não era necessariamente um lar. Era um lugar onde ela podia dormir.

- Te entendo. Pedirei para um dos seguranças levar você.

Ela aceitou. Sabia que agora essa seria sua vida. Teria que aceitar seguranças atrás dela o tempo todo.

Cíntia entrou no carro preto chique de marca e o motorista deu partida. Saindo da mansão olhou para trás, ela ainda não conseguia acreditar que tinha encontrado sua família. Sorriu e beliscou seu braço. Não, não era um sonho.

***

Filipe Novaes entrou na mansão consternado. Os seguranças não o pararam, parecia que sabiam que ele viria. Assim que entrou no escritório de Paulo Marques o golpe em seu rosto o fez cair no chão. Se levantou alisando sua face. Estava doendo muito, mas não daria satisfação a ele de perceber.

- É assim que você recebe as visitas? - perguntou. O outro homem não respondeu. Decidiu ir direto ao ponto, o motivo de estar ali. - Onde ela está? Eu sei que seus homens a levaram.

A boate tinha um sistema de câmeras que pegava todo quarteirão. Filipe viu quando Cíntia fora levada.

- A partir de hoje você não vai chegar perto dela me entendeu?

- E quem é você para decidir por ela?

- Sei bem o que você fez ontem a noite. - disse ainda chateado que sua filha tivesse dormido com esse homem desprezível. Desde o momento que suspeitara que ela era sua filha, tinha seguranças a vigiando.

Ele nunca gostou do Filipe, odiava ter que lidar com ele nos negócios. Mas depois que o pai dele falecera, não tinha outro jeito. Tinha que aguentar o garoto arrogante, mas não permitiria que sua filha se aproximasse mais dele.

Filipe riu.

- Ficou com ciúmes foi? - perguntou arrogante. Marques o segurou pelo blaser. - Seu velho nojento.

- Cala sua boca. Meus assuntos não interessam a você. - disse numa voz sombria.

- Eu só quero falar com ela. - disse amenizando as coisas. Brigar não levaria a nada.

- Não! Nunca mais você chegara perto dela. E aquele negócio que estávamos resolvendo aquele dia. Não quero mais, pode ficar com a rota.

Filipe franziu o cenho sem entender. Fazia meses que eles tentavam chegar em um acordo sobre uma rota que aparentemente pertencia as duas famílias. Quando seu pai morrera, descobrira o lado sombrio dos negócios. Seu pai e o Senhor Marques tinham muitos negócios obscuros juntos.

- Você vai abrir mão da rota por ela?

- Se isso te fizer não procurá-la mais. - disse soltando o Filipe.

Filipe tentava entender o que estava acontecendo. Senhor Marques não cedia as coisas facilmente. Principalmente quando envolvia dinheiro. E agora estava cedendo por ela. O que essa moça tinha de especial? Era o que ele precisava descobrir. Não parecia ser um simples caso.

- Você não pode me dizer o que fazer. - dito isso foi embora. Ele não iria se afastar dela, agora mais que nunca precisava descobrir quem era ela para o Senhor Marques e com isso podia se aproveitar da situação. O velho iria comer na palma da sua mão.

Entrou dentro do carro e falou para seu secretário Lucas.

- Descubra tudo o que puder sobre a moça de ontem. Quero saber qual a ligação dela com a família Marques.

A resposta veio horas depois. Uma cópia do teste de paternidade. Filipe encarou o papel com um sorriso nos lábios. Ela era a filha perdida dos Marques, aquela que movimentaram céus e terras durante anos em procura.

Formulou um plano. No futuro ele seria o único dono da cidade. Não dividiria a glória com a família Marques. Ele seria o rei. Ele só precisava casar com a herdeira perdida.

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