Capítulo 2

Cíntia fechou os olhos. Ninguém a salvaria. Ela não devia ter vindo trabalhar na boate, mesmo precisando de dinheiro.

Ela implorou mais quando mãos a agarram, se debateu chorando, mas parecia não adiantar. A dançarina dizia que eles não podiam fazer isso, que ela era só garçonete. Não fazia parte do quadro de mulheres da boate, mas os homens não se importavam.

Seu vestido foi levantado. E então algo aconteceu. Cíntia não sentia mais aquelas mãos repugnantes sobre si. Olhou para cima e viu o homem mais velho da sala anterior olhando para ela, enquanto seus seguranças socovam os caras que antes queriam estrupá-la..

Estava tonta, sua cabeça zunindo e toda a pressão do momento caindo sobre ela. Antes de desmaiar viu Enrico entrando na sala perguntando o que estava acontecendo.

Acordou com um bip e uma luz no rosto. A médica a chamando e perguntando como estava se sentindo.

Cíntia percebeu que estava no hospital e se aterrorizou. Ela não podia estar no hospital, não tinha dinheiro para pagar, principalmente o quarto luxuoso onde estava.

- Preciso ir embora. - disse já levantando e pegando suas coisas em cima da mesinha ao lado.

Ela tinha que fugir dali antes que a cobrança aumentasse.

A médica a segurou perguntando o motivo do alarde.

Quando ela ia responder o homem mais velho da boate entrou no quarto. Ela lembrou que o outro homem o chamara de Senhor Marques.

- O que aconteceu?

- Ela quer ir embora. - respondeu a médica. - Por mais que o corte tenha sido raso, seria bom mantê-la em observação.

- O senhor me salvou. - disse Cíntia com a voz quebrada. - Obrigada! Mas eu realmente preciso ir.

Ele a olhou e assentiu concordando.

Cíntia foi ao balcão administrativo e o rapaz lhe informou que suas despesas foram pagas. Ela franziu o cenho, sabendo que tinha sido o Senhor Marques, seu salvador. Mas ao mesmo tempo temeu. O que um homem velho queria com uma menina nova como ela. Afastou os pensamentos que estava tendo e saiu do hospital.

Já havia amanhecido.

Ligou para Ana que informou que Enrico estava puto com ela, pois os clientes deram parte. Mas informou que ele pagara a noite porque o Senhor Marques o fez pagar e ele tinha mais medo dele.

Ana também disse que estava com suas coisas que ficaram na boate e que ela podia pegar em casa.

Cíntia olhou a hora, estava atrasada. Só teria tempo de trocar de roupa e correr para a faculdade. Depois pegaria os dois turnos do restaurante onde trabalhava. Não era sempre que haviam turnos disponíveis. Agradeceu por que assim conseguiria o dinheiro que faltava para a mensalidade.

Sua cabeça ainda doía quando entrou na sala de aula. Havia um curativo em sua testa e seus colegas não hesitaram ao perguntar o que havia acontecido.

Mentiu dizendo que havia caído. Não iria contar a vergonhosa verdade. Depois da aula, seguiu para o famoso restaurante italiano Bon appétit. Escondeu o curativo com o cabelo e foi trabalhar.

O movimento estava agitado, o que era bom. Assim Cíntia não pensava muito na vida e ganharia muita gorjeta.

Já era mais de oito horas da noite quando o Senhor Marques se sentou na mesa do restaurante, logo na área que ela estava atendendo. Cíntia paralisou quando o viu.

Ele está me perseguindo? Pensou.

Com receio se aproximou.

- Bem vindo ao Restaurante Bon Appétit, em que posso ajudá-lo?

Ele pegou o menu.

- O que você sugeri?

- O prato do dia é pene ao molho branco com cordeiro.

- Ótima escolha. - disse satisfeito com um sorriso. Ela anotou o pedido e deu um sorriso sem graça.

Antes de se retirar pensou um pouco. Ela fora uma ingrata pela manhã. Ele a salvara e ela não o agradeceu direito.

- Senhor gostaria de agradecer de forma apropriada sua ajuda ontem. Me desculpe por sair às pressas do hospital. Muito obrigada por pagar as despesas médicas. Prometo que assim que eu tiver dinheiro te pago de volta.

- Não precisa, fico feliz que esteja bem. - disse a olhando.

Ela riu sem graça e saiu dali apressada, mas ela podia sentir os olhos dele a observando.

O resto da noite fora tenso, o Senhor Marques observava todos os seus movimentos e quando ele foi embora ela agradeceu interiormente.

Quando ela abriu a conta e viu a gorjeta que ele deixou quase caiu para trás. Ela nunca tinha ganhado tanto dinheiro de gorjeta. Ela não podia aceitar. Teria que devolver quando o visse.

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