Quando a culpa vira combustível.
AUGUSTO GALLO ARAGÃO
Eu não percebi que tinha dormido ali no sofá.
Acordei com o corpo torto, a lombar travada e o pescoço pesado como se alguém tivesse passado a noite inteira me empurrando contra o próprio peso. Levei alguns segundos para entender onde estava. A sala da casa da Áurea ainda tinha aquele cheiro de poeira e madeira velha, misturado com um resto de café frio que eu nem lembrava de ter feito. O silêncio era espesso, quase agressivo. Não havia som