Quando a culpa não cabe no peito.
CAETANO SIQUEIRA GOUVEIA
Eu não sei qual é o pior. Se é imaginar Serena fora do Brasil, longe, intocável, como se tivesse evaporado, ou ver minha filha pálida numa maca, furada por agulha, com um soro pendurado como se fosse a única coisa capaz de segurar o corpo dela no mundo. Talvez seja a soma das duas coisas, a certeza de que eu provoquei as duas dores com a mesma mão, a mesma cabeça dura, o mesmo orgulho sujo de homem que acha que pode controlar tudo.
Antô