Máximo começou a andar de um lado para o outro no escritório, passando a mão no cabelo, bufando, abrindo e fechando a janela como se o ar tivesse acabado na cidade inteira.
— Estraguei tudo. Disse, finalmente, parando no meio da sala. — Estraguei tudo.
Rita nem levantou a cabeça do computador.
— Dramático.
— Gritei com ela. Continuou ignorando o comentário. — Ela vai pedir as contas. Vai embora. Vai me odiar. Vai…
— Respira. Rita interrompeu, erguendo os olhos agora. — Você não matou ninguém ainda. Já é progresso.
Ele a encarou. — O que eu faço?
Rita se levantou devagar, como quem assume oficialmente o posto de madrinha daquele desastre emocional.
— Você vai lá. É hora do almoço. E chama-a para almoçar.
— Agora? Ele arregalou os olhos. Tem razão. — Vou convidá-la para almoçar. Reservar uma mesa no melhor restaurante da cidade, algo discreto, elegante…
Rita fez uma careta. — Não.
— Como não?
— Não, Máximo. Repetiu, com paciência forçada.
— Isso é coisa da Valentina.
Ele piscou. — Mas é