Tina chegou ao trabalho com o corpo tenso e a cabeça cheia.
Cumprimentou seu José com um aceno rápido e seguiu direto para o jardim, sem parar, sem olhar para trás. Queria acelerar o serviço, terminar tudo quanto antes e ir embora.
O beijo havia sido um erro.
Um erro bonito, intenso… mas ainda assim um erro.
E não podia, não ia… se repetir.
O jardim ainda estava silencioso quando ela começou a preparar os canteiros. A terra cedia sob as mãos com facilidade, como se colaborasse com sua pressa. Tina trabalhava concentrada, quase agressiva, como quem cava para fugir dos próprios pensamentos.
Pouco antes das oito, o caminhão estacionou.
— Chegamos! Anunciou um dos entregadores, descendo com um sorriso largo.
As mudas de rosas brancas.
Tina abriu um sorriso genuíno pela primeira vez naquela manhã. — Ainda bem! Achei que vocês iam me abandonar hoje.
Os dois rapazes eram jovens, simpáticos, daqueles que falam alto, riem fácil e transformam trabalho pesado em bagunça organizada. Tina, como se