Na sexta-feira, o jardim estava silencioso.
Os funcionários haviam ido embora, mas Tina ficou para testar os aspersores automáticos. Queria garantir que a nova cachoeira não transformaria o prédio num aquário gigante durante a noite.
O céu dourava devagar. As luzes começaram a acender sob as folhas.
Tina se sentou no chão, encostada no vidro, finalmente relaxando.
E então ouviu passos.
Máximo atravessava o jardim como quem entra em território proibido, ou sagrado.
Parou diante das rosas brancas, observando tudo com aquele olhar sério demais para ser só admiração.
Então, ele se abaixou, pegou um lenço no banco… e levou ao rosto.
O coração dela deu um salto.
O riso escapou antes que ela conseguisse segurar.
Máximo virou na hora, olhos faiscando, como se tivesse sido flagrado cometendo um crime grave.
— O que a senhora ainda está fazendo aqui? A voz veio baixa, rouca.
— Cheirando lenço suado dos outros é que não, senhor Máximo. Disse ela, mordendo o riso. — Mas, pelo visto… alguém está.