Tina chegou em casa ainda com o coração fora do compasso.
Fechou a porta às pressas, girou a chave e encostou nela, os olhos fechados, tentando puxar o ar para o interior dos pulmões, mas o peito parecia apertado demais para respirar.
Tina chegou em casa ainda com o coração fora do compasso.
Ela ainda sentia o cheiro do sangue.
A dor nos ferimentos voltou, a chuva, o asfalto ferindo seus pés descalços e a vontade louca de fugir.
Caminhou até o quarto quase no automático, chutou os sapatos pelo caminho e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira.
Lá estava ela.
A pequena caixa de veludo azul.
Sentou-se na cama e a abriu com cuidado. O colar surgiu ali dentro, intacto, silencioso… a flor-de-lis presa à corrente fina, fria ao toque.
Ela o segurou entre os dedos. O contraste do metal gelado contra a pele ainda quente a fez estremecer.
— Será que você me machucou? De onde vinha todo o sangue?
O pingente balançou levemente, refletindo a luz suave do abajur. Tina passou o polegar por ele, como