Naquela noite, sentados na varanda com cobertores nas pernas e canecas de chá nas mãos, o assunto voltou, dessa vez sem a urgência do medo.
— Você quer mesmo ser pai? — Clara perguntou, olhando a cidade à frente.
Ricardo demorou um pouco para responder.
— Eu cresci ouvindo que precisava ter filhos — começou. — Herdar, perpetuar o sobrenome, formar “a próxima geração”. A ideia de paternidade, pra mim, sempre foi… quase uma meta empresarial. “Um filho até os 35, dois até os 40”, esse tipo de absu