A batida ensurdecedora da música eletrônica na Boate Pandora era tão forte que fazia as taças de cristal e os copos de uísque tremerem sobre as mesas do camarote VIP. O ar do ambiente era denso, pesado, impregnado por fumaça de narguilé, fragrâncias de perfumes importados e uma energia palpável de pura libertação e pecado.No camarote mais reservado do andar superior, Clara ria. Era uma risada solta, genuína, límpida — um som que ela não ouvia sair de sua própria garganta havia pelo menos três longos e sufocantes anos. O champanhe Dom Pérignon, servido trincando de gelo, subira rapidamente à sua cabeça, deixando todos os seus pensamentos leves, dourados e livres de qualquer amarra.Marco, o acompanhante contratado com o cartão do marido, estava cumprindo o seu papel com maestria irretocável. Ele não tentava tocar em Clara de forma vulgar ou desrespeitosa. Em vez disso, ele apenas a ouvia. Ele elogiava a luz do seu sorriso, a intensidade do seu olhar e a forma impecável como o vestido v
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