Clara acordou com o sol batendo em seu rosto, algo que nunca acontecia no quarto de hóspedes voltado para o sul. Mas hoje, ela não estava no quarto de hóspedes. Ela estava na suíte master, ocupando o centro da cama king size de Ricardo, cercada por lençóis de seda preta que cheiravam a sândalo e ausência.Ao lado dela, no criado-mudo, havia um prato com migalhas de bolo de chocolate e uma taça de champanhe vazia. O café da manhã dos condenados.Ela se espreguiçou, sentindo uma dor aguda na base do crânio, um lembrete constante de que seu tempo estava correndo. O relógio biológico não tiquetaqueava mais para a maternidade, mas para o fim.— Oitenta e nove dias — ela sussurrou para o teto alto.Ela se levantou e caminhou até o closet de Ricardo. Era um espaço imenso, organizado por cores, cheio de ternos italianos feitos sob medida que custavam mais do que a educação universitária de muita gente. Do outro lado, estava o espaço dela: uma fileira triste de vestidos bege, cinza e branco. R
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