A Esposa Virgem do CEO: 90 Dias de Rebeldia
A Esposa Virgem do CEO: 90 Dias de Rebeldia
Por: Sally Skellington
Capítulo 1: A Viúva de Marido Vivo

O vapor que antes subia da terrina de prata já havia desaparecido há muito tempo. A sopa de aspargos, o prato favorito de Ricardo — ou pelo menos o que a revista Forbes dizia ser o favorito dele, já que ele nunca estava em casa para confirmar —, estava fria e intocada.

Clara Albuquerque tamborilou os dedos bem cuidados sobre a toalha de linho egípcio. O som era abafado, quase inexistente, assim como sua presença naquela casa. Ela olhou para o relógio de pêndulo antigo no canto da sala de jantar cavernosa. O tique-taque monótono parecia martelar em suas têmporas, marcando cada segundo de sua humilhação.

Eram 23h45.

Hoje completavam exatos três anos. Três anos desde que ela caminhou pelo corredor da Catedral da Sé, com um vestido que custava o preço de um apartamento popular, para se unir a Ricardo Albuquerque. Naquele dia, os flashes das câmeras a cegaram. As manchetes diziam que ela era a Cinderela moderna, a garota de família falida que conquistou o coração do Príncipe da Tecnologia.

Se o mundo soubesse a verdade, a inveja se transformaria em pena instantânea.

Clara alisou o tecido do vestido de seda vermelho que comprara especialmente para aquela noite. O vermelho era uma cor ousada, um grito de socorro visual. Ricardo sempre preferiu tons neutros nela: bege, branco, cinza. "Seja elegante, Clara. Não chame atenção desnecessária", ele costumava dizer com aquele tom de voz calmo e indiferente que a fazia se sentir pequena. Mas hoje, ela queria que ele a visse. Realmente a visse.

Ela pegou o celular sobre a mesa pela vigésima vez na última hora. A tela estava escura. Nenhuma mensagem. Nenhuma chamada perdida. Nem mesmo um emoji automático. A última interação direta deles fora um e-mail encaminhado pela secretária dele, Sra. Gilda, três dias atrás, confirmando que a mesada para as despesas da mansão havia sido depositada.

— Ele não vem — ela sussurrou para a cadeira vazia na cabeceira da mesa. A voz dela ecoou levemente, perdida na imensidão da sala projetada para banquetes de vinte pessoas, não para a solidão de uma.

Não deveria ser uma surpresa. Ricardo passava trezentos dias por ano viajando. Tóquio, Londres, Nova York, Dubai. Ele vivia em fusos horários diferentes, em hotéis de luxo onde ela nunca pisava. Quando voltava para o Brasil, alegava exaustão e se trancava no escritório blindado ou dormia no quarto de hóspedes na ala leste.

Clara tocou a aliança de diamantes em seu dedo anelar esquerdo. A pedra era enorme, pesada, fria e cortante. Uma metáfora perfeita para o casamento deles.

Eles nunca haviam dormido juntos. Nem na noite de núpcias. Ricardo alegou uma crise na bolsa de valores asiática naquela noite. Depois, foi o cansaço. Depois, o estresse. E então, o silêncio. Ele simplesmente parou de dar desculpas e ela, treinada para ser a esposa dócil e compreensiva, parou de perguntar. Aos vinte e quatro anos, Clara era virgem, intocada, preservada como um daqueles móveis antigos da sala de estar que a mãe dele proibia qualquer um de tocar.

Uma pontada aguda, violenta, atravessou seu crânio, fazendo-a soltar um gemido baixo. A visão de Clara turvou, as bordas da sala escurecendo como uma fotografia queimada. Ultimamente, essas dores eram frequentes, companheiras constantes de sua insônia, assim como o sangramento no nariz que ela escondia com camadas extras de pó compacto.

— Só mais um pouco — ela disse a si mesma, apoiando as mãos na mesa para tentar se levantar e recolher os pratos. — Ele deve ter tido um atraso no voo. O jato particular pode ter pego uma tempestade.

Ela tentava justificar o injustificável. Era o hábito de quem vivia de migalhas.

Mas quando ela finalmente ficou de pé, o chão de mármore italiano pareceu desaparecer sob seus saltos. O mundo girou violentamente para a esquerda. O prato de porcelana fina, importado da França, escorregou de sua mão suada.

O som da porcelana se estilhaçando no chão foi alto como um tiro.

Clara tentou se segurar na toalha de mesa, puxando a prataria e as taças de cristal consigo em uma cascata de barulho e destruição. Foi a última coisa que ela ouviu antes da escuridão absoluta a engolir, apagando a dor, a espera e a solidão.

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