Capítulo 5

Olivia

Eu nunca tinha trabalhado tanto em um único dia.

Mas quando a senhora Whitaker mencionou que daria uma festa naquela noite e que precisava de ajuda extra, eu aceitei antes mesmo de ela terminar a frase.

— Vai ser um dia longo-

Ela avisou, olhando sua agenda.

— Preciso que você venha cedo para ajudar na preparação e fique até depois da festa para limpar tudo.

— Eu fico .

Respondi imediatamente. Ela ergueu uma sobrancelha.

— São praticamente vinte e quatro horas de trabalho.

— Não tem problema.

Na verdade, tinha.

Meu corpo já estava no limite.

Mas eu precisava do dinheiro.

Ela suspirou e finalmente assentiu.

— Vou pagar alguns dólares a mais.

Alguns dólares.

Não era muito.

Mas naquele momento qualquer coisa parecia melhor que nada.

E assim começou o dia mais longo da minha vida.

Passei a manhã inteira limpando, organizando mesas, ajudando a arrumar flores e movendo móveis pesados pela casa enorme da senhora Whitaker.

À tarde chegaram caixas de bebidas e comida cara que eu nunca tinha visto de perto.

Tudo precisava estar perfeito.

E eu precisava continuar trabalhando.

Quando a noite chegou, a casa já estava cheia de convidados bem vestidos.

Risos altos.

Música suave.

Perfumes caros misturados ao cheiro da comida sofisticada.

Eu passava entre eles recolhendo taças vazias, limpando pequenos acidentes e tentando não chamar atenção.

Às vezes alguém me olhava como se eu fosse parte da decoração.

Outras vezes nem isso.

Em algum momento da madrugada minhas pernas começaram a doer tanto que parecia que iam ceder.

Mas continuei.

Porque cada minuto ali significava um pouco mais de dinheiro.

Em um momento de pausa rápida na cozinha, peguei meu celular e liguei para minha irmã.

Ela atendeu depois de alguns toques.

— Liv?

A voz dela parecia fraca.

— Você está bem?

— Estou… só cansada.

— A Megan está aí com você?

— Está sim.

Megan era uma amiga da Chloe que se ofereceu para ficar de olho nela enquanto eu trabalhava.

— Se precisar de qualquer coisa me liga.

Falei.

— Eu estou bem.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ouvi passos atrás de mim.

— Olivia!

Quase deixei o celular cair.

A senhora Whitaker estava parada na porta da cozinha com os braços cruzados.

— Você está trabalhando ou conversando?

— Desculpa.

Murmurei rapidamente, desligando o telefone.

Ela fez um gesto irritado.

— Eu não estou pagando você para ficar no telefone.

— Não vai acontecer de novo.

Ela apenas virou as costas e saiu.

Respirei fundo e voltei para o trabalho.

A festa terminou perto das três da manhã.

Mas meu trabalho não.

Enquanto os convidados iam embora rindo e cambaleando de tanto beber, eu ainda precisava limpar tudo.

Copos.

Garrafas.

Guardanapos.

Restos de comida.

Quando finalmente terminei, o céu já estava começando a clarear.

A senhora Whitaker me entregou o pagamento sem muita cerimônia.

— Até semana que vem.

Assenti, guardando o dinheiro com cuidado.

Não era muito.

Mas era algo.

Peguei o ônibus com as pernas tremendo de cansaço.

O veículo estava quase vazio naquela hora da manhã.

Encostei a cabeça no vidro frio e fechei os olhos por alguns segundos.

Minha mente começou a fazer contas automaticamente.

O que eu tinha juntado até agora ainda era uma fração ridícula dos quinze mil dólares.

Isso significava apenas uma coisa.

Eu teria que trabalhar ainda mais.

Dobrar turnos.

Aceitar qualquer trabalho que aparecesse.

Mesmo que meu corpo gritasse por descanso.

Quando finalmente desci do ônibus e caminhei até o prédio velho onde morávamos, o sol já estava nascendo.

Subi as escadas lentamente, cada músculo do meu corpo protestando.

Abri a porta do apartamento.

— Chloe?

Nenhuma resposta.

Fui direto para o quarto dela.

E parei na porta.

Chloe estava sentada na cama.

Os olhos semicerrados.

O rosto estranho.

Megan estava sentada ao lado dela.

Algo dentro de mim se apertou.

— O que está acontecendo aqui?

Megan se levantou rapidamente.

— Eu só estava tentando ajudar.

Meu olhar caiu sobre a pequena embalagem vazia na mesa de cabeceira.

Meu sangue ferveu.

— Você deu essas merdas pra ela?

Megan levantou as mãos defensivamente.

— Ela estava passando muito mal, Olivia. Tremendo, vomitando…

— Então você resolveu dar mais droga?!

Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

Chloe tentou falar.

— Liv…

— Não fala comigo agora!

Megan pegou a bolsa.

— Eu só estava tentando ajudar.

— Então ajuda indo embora.

Ela não discutiu.

Saiu do apartamento alguns segundos depois.

O silêncio que ficou foi pesado.

Chloe me olhava com olhos cansados.

— Você não precisava gritar com ela.

— Ela deu droga pra você!

— Eu estava passando muito mal.

Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço e a frustração me esmagarem.

— Isso não resolve nada, Chloe. Só piora tudo.

Ela ficou quieta por alguns segundos.

— Eu sinto muito.

As palavras não aliviaram nada.

— Eu estou tentando te ajudar.

Falei, a voz saindo trêmula.

— Eu sei.

— Então para de destruir qualquer chance que a gente tenha!

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Eu não estou tentando destruir nada.

— Então por que parece que estou lutando sozinha?

Ela não respondeu.

O silêncio que se seguiu doeu mais do que a discussão.

Passei a mão pelo cabelo, sentindo minha cabeça latejar.

— Eu preciso sair um pouco.

— Liv…

Mas eu já estava indo para a porta.

Eu precisava de ar.

Precisava pensar.

Desci as escadas do prédio e parei na calçada.

O ar da manhã estava frio contra minha pele cansada.

Respirei fundo.

Foi quando senti.

A sensação estranha de estar sendo observada.

Levantei os olhos.

Do outro lado da rua, um homem estava parado perto de um carro escuro.

Ele parecia estar olhando diretamente para mim.

Meu estômago se apertou.

Por um segundo pensei que talvez fosse um dos homens que estavam cobrando a dívida da Chloe.

Mas ele não tinha aquele ar ameaçador.

Mesmo assim… algo naquele olhar me deixou desconfortável.

Desviei o olhar e comecei a caminhar.

Porque, gostando ou não da situação…

Eu sabia de uma coisa.

Eu não podia desistir agora.

Não importava o que acontecesse.

De alguma forma…eu precisava salvar minha irmã.

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