DULCEHá 5 anos atrás...Hoje poderia ser o melhor dia da minha vida, se o homem que eu amo desde que me entendo por gente tivesse me escolhido por livre e espontânea vontade. — Você nunca vai ser ela, Dulce.A voz da minha mãe não veio como conselho, veio como sentença, e eu permaneci sentada diante do espelho do quarto de noiva daquele salão absurdamente chique enquanto duas costureiras me puxavam, apertavam e alfinetavam dentro de um vestido que não era meu. Meus óculos escorregavam pela ponte do nariz, minhas mãos tremiam no colo, e o tecido — feito sob medida para o corpo mais esguio de Maria — insistia em não me caber como deveria.— Encolhe a barriga! — minha mãe disse rispidamente, impaciente, observando cada ajuste como se eu fosse um problema técnico. — Está apertado… — reclamei, sentindo a costura pressionar minhas costelas.— Beleza custa caro — ela respondeu sem sequer me olhar de verdade. — Mesmo quando não há muito o que valorizar.As costureiras trocaram olhares rápi
Ler mais