O cheiro de umidade e café barato não era o que Matheo Cavalcanti costumava associar a um "lar". O apartamento de Ana Clara, no centro de São Paulo, era um cubículo onde a cozinha se fundia com a sala, e o quarto era separado apenas por uma estante de livros bamba, abarrotada de tratados de anatomia e patologia.
Matheo deixou sua mala de couro — uma das poucas coisas que conseguira resgatar — sobre o sofá de tecido gasto que rangia sob qualquer peso. Ele tocou o teto baixo com a palma da mã