Quando Lívia saiu, o silêncio que ficou na cozinha foi quase ensurdecedor.
Eu não tremia.
Não chorava.
Não me encolhia.
Eu queimava.
Por dentro, uma lava densa subia lenta, segura, perigosa.
Aquele tipo de raiva que não faz escândalo.
Aquele tipo que cresce calada.
E que, quando finalmente fala, destrói com precisão.
Quem ela pensa que é?
A pergunta estourou dentro de mim como se tivesse sido gritada — mas não saiu da minha boca. Ficou ali, fervendo, rodando pela minha mente.
Que