Isadora
Entrei no quarto como se estivesse fugindo de uma tempestade. Meus pulmões pareciam pequenos demais para a quantidade de ar que eu tentava puxar, e a inquietação vibrava em cada terminação nervosa do meu corpo. A conversa com d. Constança havia virado meu mundo de cabeça para baixo.
Rafael estava sentado na borda da cama, ainda vestido com a camisa social, mas com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas. Ele segurava um tablet, mas o deixou de lado no instante em que me viu. Seus olhos, sempre tão analíticos, capturaram meu estado de agitação imediatamente.
— O que houve? — ele perguntou, a voz carregada de uma preocupação genuína. — Você está pálida. Aconteceu alguma coisa no jardim?
Hesitei por um segundo, parada no meio do quarto. Meus dedos brincavam nervosamente com a barra do meu vestido. Aproximei-me dele, sentindo o magnetismo que sempre emanava de sua presença, e parei a poucos centímetros.
— Ela sabe, Rafael — sussurrei.
Ele franziu a testa, a confusão