Isadora
A noite caiu sobre o jardim da mansão como um manto pesado de veludo. Eu precisava do sereno no rosto, do cheiro de terra molhada e da escuridão para esconder a exaustão que meus olhos não conseguiam mais disfarçar. Caminhei entre as roseiras, abraçando meus próprios ombros, sentindo cada centímetro do meu corpo doer pela tensão do almoço. "Nós somos uma mentira", eu disse a Rafael. E a pior parte é que, quanto mais eu repetia isso, mais parecia que eu estava tentando convencer a mim mesma de algo que meu coração já começava a rejeitar.
Ouvi o som suave de passos sobre o cascalho.
— O jardim é o melhor lugar para quem quer ouvir os próprios pensamentos sem a interferência de gente barulhenta — a voz de d. Constança surgiu, suave e carregada de uma serenidade que eu invejava.
Ela se aproximou, o rosto iluminado apenas pela luz lunar e pelos postes baixos do caminho.
— Isadora, querida... eu queria me desculpar. Alberto às vezes esquece que nem toda ferida cicatriza no temp