Rafael
O almoço caminhava por um campo minado, mas eu ainda tinha a ilusão de que conseguiria desarmar todas as bombas. Isadora estava impecável. Se eu não a conhecesse, se não tivesse sentido o tremor em suas mãos na noite em que nos entregamos, eu acreditaria que éramos o casal mais sólido daquela mesa. Mas o destino, ou talvez o azar genético da minha família, resolveu cobrar o preço.
— Vocês formam um par tão vigoroso — Sr. Alberto comentou, após um gole de vinho, limpando os lábios com o guardanapo de linho.
— A Sofia é uma joia, mas esta casa é grande demais para uma criança só. Alberto e eu estávamos conversando... queremos bisnetos. E não queremos esperar muito.
Senti o ar se solidificar ao redor de Isadora. O tilintar dos talheres parou.
— Acho que é cedo demais para pensar nessas coisas — Beatrice interveio rapidamente, a voz cortante como vidro. Ela sabia do contrato; sabia que crianças não faziam parte da transação. — Eles mal se casaram, têm carreiras, viagens... nã