Isadora
Entrei na mansão pelos fundos, duas horas antes do horário marcado. Não queria a pompa da entrada principal, nem os olhares inquisidores de Rafael. Pedi silêncio absoluto aos funcionários; queria o controle do território antes que o "Leão" percebesse que a presa havia retornado. Na cozinha, o movimento era frenético, mas assumi o comando de uma das bancadas. Cozinhar era minha terapia, e hoje, eu precisava que minhas mãos estivessem ocupadas para que minha mente não colapsasse.
Preparei um Confit de Canard com um toque de especiarias que minha avó costumava usar. Era uma receita que exigia paciência, tempo e fogo baixo — exatamente o que faltava na minha vida com Rafael.
Ouvi o alvoroço no hall. As vozes animadas dos avós de Rafael, o tom imperioso de Beatrice e a voz grave e tensa de Rafael tentando gerenciar o tempo. Ele estava nervoso. Eu sentia isso mesmo através das paredes de serviço. Limpei as mãos no pano de prato, ajeitei o avental que amarrara apenas na cintura so