Isadora
A recepção era um mar de rostos borrados, taças de cristal tilintando e uma opulência que parecia sugar o oxigênio do jardim. Eu estava ali, com o diamante de Rafael pesando no meu dedo e o sobrenome Alcântara agora colado à minha identidade como uma marca de ferro em brasa. Eu era a noiva perfeita. Sorria nos momentos certos, agradecia os cumprimentos e mantinha a postura ereta, embora, por dentro, eu estivesse desmoronando.
— O casal me daria a honra? — A voz de Beatrice surgiu, e a orquestra mudou o tom para uma valsa lenta.
Era a hora da dança. Rafael estendeu a mão para mim, os olhos escuros fixos nos meus. Eu deslizei a minha mão sobre a dele, sentindo o calor da sua pele contra a minha. O toque enviou uma descarga elétrica pelo meu braço, uma sensação que eu tentava desesperadamente ignorar.
Ele me puxou para perto. Uma mão em minha cintura, a outra segurando a minha. Estávamos perto demais. O perfume amadeirado dele, o mesmo que eu sentira no quarto em Brasília, me