Rafael
O pânico é uma sensação que eu desaprendi a sentir aos doze anos, mas ali, com Isadora desfalecida nos meus braços, ele voltou como uma maré violenta. O corpo dela era um peso morto, a seda do vestido — que deveria ser o símbolo do meu triunfo — agora parecia uma mortalha fria.
— Isadora! — Gritei, e minha voz ecoou pelo corredor, atraindo o caos.
Passos apressados. Eduardo foi o primeiro a entrar, seguido por Marisa, que soltou um grito abafado ao ver a filha no chão. Beatrice surgiu logo atrás, seu rosto empalidecendo, mas mantendo a compostura de aço que a definia.
— O que houve? Ela desmaiou? — Marisa se ajoelhou, as mãos trêmulas tocando o rosto da filha.
— Afastem-se! — Minha voz saiu como um trovão. — Deixem-na respirar.
Peguei Isadora no colo com facilidade e a coloquei sobre a cama. Ela parecia uma boneca de porcelana quebrada. Olhei para o chão e vi o frasco de cristal partido e o bilhete caído. O cheiro doce e tóxico ainda impregnava o ar, irritando minhas nari