Isadora
Saí da casa de hóspedes com Kiara, ainda sentindo o calor da discussão com Rafael nas minhas costas. Eu estava de saco cheio. Cheia daquela mansão, das regras não ditas, e do homem que decidia a cada segundo se me queria perto ou longe. Eduardo era legal, era leve, mas a confusão que Rafael plantou era um nó na minha garganta.
Eu não queria entender o que Rafael pretendia. Ou eu sabia, e tinha medo da resposta.
Chegamos à boate. O lugar era escuro, pulsante e barulhento. Uma batida forte que engolia qualquer pensamento lógico. Kiara me arrastou para o bar.
— Esquece os primos, esquece tudo — ela gritou, sorrindo. — Hoje é dia de desligar.
Eu tinha trinta e um anos e, por incrível que pareça, nunca tinha bebido. Sempre mantive a cabeça fria, o controle era minha única riqueza. Mas, naquela noite, o controle parecia inútil. Eu precisava de uma fuga química.
— O que você bebe? — Kiara perguntou.
— Suco. O mais forte que tiver.
Ela riu, mas pediu para o barman um coquetel c