A mansão parecia um formigueiro naquela manhã. Caminhões estacionados, caixas empilhadas, luzes sendo testadas, cabos espalhados pelo chão, vozes cruzando o ar em tom apressado.
A empresa de decoração havia tomado praticamente toda a área externa.
Tecidos brancos pendiam como véus sobre a piscina, flutuando ao vento. Arquitetos discutiam cores. Montadores instalavam estruturas metálicas que refletiam o sol.
E tudo isso… para uma festa que o próprio aniversariante não queria.
Eu tentei ignorar o caos lá fora enquanto dava início à minha aula com Sofia. Ela estava sentada à mesa da brinquedoteca, lápis coloridos à mão, pés balançando sem parar.
— Professora Isa… — ela me chamou sem levantar a cabeça. — Vai ter bolo rosa?
— Só se você pedir — respondi, ajeitando o caderno dela. — Agora tenta escrever de novo a letra “E”. Você fez muito bem ontem.
Ela sorriu, concentrada.
Mas a cada cinco minutos, um som novo vinha do lado de fora. Marteladas. Perfurações. Gritos de “mais à esqu