A tarde estava silenciosa demais. Silenciosa no tipo de silêncio que me deixa inquieto.
Isadora não estava dentro da casa. E isso, embora não fizesse sentido, também me deixava inquieto.
Foi só quando ouvi risadas vindo do jardim que percebi onde ela estava.
Eu desci as escadas devagar, tentando ignorar o incômodo que eu mesmo não sabia nomear. Mas bastou uma olhada pela porta de vidro para entender o motivo do desconforto.
Eduardo.
Ele corria atrás de Isadora e de Sofia pelo gramado como se fossem uma linda e feliz família. Como se tivesse esse direito. Como se fosse natural aquela situação, brincando com a funcionária na minha casa com minha filha…
— PEGA ELE! — Sofia gritava, rindo alto, com o rosto iluminado.
Isadora ria também, com aquele riso solto que ela nunca usava comigo. E Eduardo…
Eduardo se aproximou por trás, quase tocando a cintura dela para fingir que ia pegar, e algo dentro de mim… contraiu.
Ciúme.
A palavra veio como um soco — e eu a rej