Eduardo falava como se estivesse conspirando contra o próprio irmão — o que, no caso, não era totalmente mentira.
— Vai ser só uma festa pequena, Rafa. Pequena! — ele insistia, andando atrás de Rafael pela sala. — Eu organizo tudo. Você só aparece, ganha os presentes e faz aquela cara emburrada tradicional.
Rafael passou direto por ele, pegando uma pasta de cima da mesa.
— Eduardo, eu vou repetir pela última vez: eu não quero festa.
— Mas você vai fazer trinta e cinco anos!
— Justamente por isso. Quanto menos barulho, melhor.
Eu fingia arrumar as almofadas do sofá, tentando parecer invisível enquanto escutava. Eduardo estava decidido, e Rafael… bem, Rafael era sempre assim: irredutível, autoritário, e misteriosamente mais interessante ainda quando perdia a paciência.
— Isa, você acha que ele devia ter festa, não acha? — Eduardo perguntou de repente.
Quase me engasguei com o próprio ar. Os dois me olharam.
— Acho que… é algo que só ele pode decidir — respondi, diplomática.
Ed