A casa parecia acordar em camadas naquela manhã. Não houve um ponto exato em que o silêncio terminou — ele apenas foi sendo atravessado por sons baixos, cotidianos, quase imperceptíveis. O deslizar de uma porta, passos leves no corredor, água correndo na pia.
Elena foi a primeira a falar.
— Você deixou a janela aberta ontem à noite.
Dominic, ainda sentado à mesa com uma xícara nas mãos, ergueu os olhos.
— Esqueci.
— Não entrou frio — ela completou. — Só entrou ar.
— Então não foi um erro grave.