O segredo não se anunciava em grandes gestos. Ele se infiltrava nas pequenas coisas, nos detalhes que só quem vive por dentro percebe. Não havia mudanças óbvias na rotina da casa, nenhuma quebra visível de protocolo, nenhum deslize que pudesse ser apontado como prova concreta de algo fora do lugar. Ainda assim, tudo estava diferente.
Dante e eu aprendemos rapidamente a nos mover dentro dessa nova realidade como dois cúmplices atentos. Não era apenas desejo que nos ligava agora, mas uma espécie de entendimento silencioso, quase perigoso pela naturalidade com que se instalava. O que começara como tensão contida havia se transformado em algo mais denso, mais presente, mais difícil de ignorar.
Lorenzo parecia sentir isso de algum modo, ainda que não soubesse nomear. Ele estava mais tranquilo, mais seguro, menos ansioso em relação a despedidas e pequenas mudanças. Talvez fosse coincidência. Talvez fosse a consequência de adultos mais inteiros ao redor dele. Dante estava mais disponível,