A casa parecia a mesma depois da reunião, mas a sensação de retorno era diferente. Era como se os corredores tivessem mudado de função sem mudar de forma; como se o espaço, de repente, carregasse uma espécie de memória nova. O que antes era apenas tensão guardada entre portas agora era um fato dito em voz alta, reconhecido fora dali, registrado em um mundo que não aceitava ambiguidades. A verdade tinha saído do corredor. E, quando a verdade sai, ela não volta para o lugar de onde veio.
Lorenzo estava eufórico com o simples fato de ver Dante e eu chegarmos juntos. Ele não entendia a reunião, não compreendia o que havia sido decidido, mas compreendia a imagem: estabilidade. A presença dupla parecia tranquilizá-lo de um jeito que me apertou o peito. Ele nos puxou para a sala com urgência infantil, pedindo que víssemos um desenho que ele tinha feito, explicando com detalhes exagerados cada cor, cada traço, como se aquilo fosse um grande projeto. Dante se ajoelhou ao lado dele, atento, pac