Depois de alguns segundos em silêncio, eu decidi que era a hora.
Hora da minha primeira jogada.
O jazz deslizava pelo salão como um toque de perfume no ar. As luzes estavam baixas, mornas, deixando tudo dourado e perigosamente romântico. Casais dançavam devagar, como se o mundo lá fora não existisse, como se ali dentro só houvesse promessas e finais felizes.
Era o cenário perfeito.
Eu estendi a mão na direção de Ema, com um sorriso que eu treinei muito bem.
— Dança comigo?
Ela piscou algumas vezes, surpresa, como se eu estivesse oferecendo algo raro. E levantou sem hesitar, ajeitando o vestido no corpo com aquela naturalidade provocante de quem sabe exatamente o poder que tem.
Eu a conduzi até a pista.
E, por um segundo… o mundo desacelerou.
Segurei sua cintura com firmeza, sentindo o calor dela atravessar o tecido, atravessar a minha pele. A outra mão encontrou a dela, pequena, delicada, perfeitamente encaixada na minha. O perfume de Ema era doce e quente, e a proximidade me fez lemb