— Obrigada por ter me convidado… foi muito gentil da sua parte me trazer aqui. É lindo!
Ema falou com aquele encanto fácil no rosto, como se o lugar fosse algo inacreditável. Eu puxei a cadeira para ela e observei o modo como seus olhos passearam pelas luzes do restaurante, pelos detalhes nas paredes, pelas janelas amplas que exibiam a cidade como um quadro vivo.
Para mim, era só mais um jantar.
Eu já tinha estado em lugares assim tantas vezes que perdi a conta. Com Olga, então… já tinha repetido essa cena em dezenas de variações. A diferença era que Olga jamais demonstrava essa surpresa. Ela sentava, pegava o cardápio e agia como se o mundo de luxo tivesse sido feito para ela desde o nascimento.
Ema não.
O que me irritava era que eu não conseguia definir se aquela reação era verdadeira ou uma performance bem ensaiada.
Porque uma parte de mim lembrava do dossiê. Dos detalhes frios, objetivos. Da história escrita no papel como um relatório.
E a outra parte… a outra parte só via a mulhe