Eu não me fiz de desentendido.
Eu sabia exatamente do que aquela pergunta se tratava.
E talvez fosse isso que doía mais: eu sabia… e mesmo assim tinha deixado tudo chegar naquele ponto.
— Ouvi sua conversa com a Joyce no telefone… no nosso primeiro dia de viagem ao Canadá. Murmurei.
Minha voz saiu baixa, sem força, como se qualquer palavra a mais fosse capaz de derrubar o que ainda restava de mim.
Eu entrei no escritório devagar, medindo meus passos, como se estivesse entrando num campo minado.
Joguei o paletó no sofá… junto com a pasta.
Aquela pasta que carregava os anos de mentira que eu vivi.
Anos em que eu achei que sabia quem eu era… e quem estava ao meu lado.
— O quanto você escutou daquela conversa, Noah? Ela perguntou, envergonhada, passando a mão pelo rosto, limpando as lágrimas com pressa… como se chorar fosse uma fraqueza proibida.
Eu a encarei.
De verdade.
Sem escapatória.
Sem desculpa.
Sem máscara.
— Toda a conversa, Ema.
As palavras saíram secas.
E eu senti a própria gar