46. Vittório Moreira
O telefone vibrou na mesinha de cabeceira como uma cobra prestes a atacar. Meus olhos se abriram antes mesmo que o segundo toque começasse — hábito de quem vive com um pé na guerra.
— Don — a voz do outro lado era ofegante, urgente. — O depósito em Reggio Calabria. Foi atacado.
Sentei-me na cama, a mente já totalmente desperta. Ao meu lado, o calor do corpo de Beatrice ainda marcava o lençol, mas eu a deixara no refúgio horas antes, sob protestos dela. Não quero mais me esconder, dissera. E eu