Natan dirigiu sem perceber o caminho.
As mãos no volante estavam firmes demais, os dedos pressionando o couro como se aquilo fosse a única coisa concreta sob controle. O maxilar permanecia travado. O corpo inteiro em estado de alerta, como se ainda estivesse no meio da pista de dança, como se o soco ainda ecoasse nos ossos, vibrando para além do impacto físico.
A cidade passava pela janela como um borrão.
Ana não falava coisa com coisa.
As frases vinham quebradas, soltas, desconectadas